O velho tarado dá um gole para o santo e toma o segundo trago
Observa enrijecido o grupo de meninos abandonados
Nos bolsos cachimbos e pedras
Anjos entorpecidos na Nova Luz
A pequena tribo inicia o ritual no asfalto, ao som da batucadas de latas vazias
pintadas com o nome do famoso refrigerante
Terríveis infantes, alguns filhos de Angola
Com canos permanentemente apontados para as cabeças
medo e fome somem em meio as baforadas de cola
Eu, observo atentamente os totens da cidade
As torres gigantes e antenas
As milhares de propagandas
As botas dos policiais que fazem a segurança de quem tem.
O jovem com o corpo pintado, corta como um pássaro as ruas do centro montado em seu skate. Eu sou um xamã perdido no concreto, mergulhado em fumaça tóxica, um curandeiro residindo na doença, um extremista religioso sem uma crença. Atendendo à todo tempo a demanda de novos rituais.
Novas tribos espalhando símbolos mágicos pelas calçadas, em orgias psicodélicas nos topos dos arranha céus, entre os carros parados na avenida seca & cinza.

