quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tempo Velho

Se desfaz um laço em poucos atos
Dançamos nossos vagarosos passos

Belas melodias vem
para confundir também
Todo doce tem um lado ácido

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tantra Torto

Ele voa com apenas uma asa
Ele se equilibra com dificuldade pelo ar
Ele é uma serpente com escamas de fogo
Ele é o caminho do meio

Um tantra torto

A escolha pelo incerto
Um teste para os limites
Uma ténue fronteira

Entre o santo e o louco

Corre em todas as direções
Não há como conter sua força
Incrível
Infernal

Forte como uma ereção
Intenso como um bacanal
Delicado como a passagem

Perigoso, delicioso e letal

Ele é a doce melodia de um mantra à deusa negra
Engendra os movimentos que anunciam a longa noite
Ele é um trem turbulento pra o fim da escuridão

Um sutil conhecimento
Um convite velado para o sagrado

Uma opção

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fiat Lux

Imitações

Quero lhe falar sobre aquele velho ritmo
Sobre a batida selvagem que impulsiona os corpos à dança
À sede do vinho
À fome da uva

Quero relembrar antigos movimentos
Imitações
Os gestos que montaram os primeiros espetáculos
O voo desesperado de um pássaro
A valsa erótica dos sátiros
A luz que emana do fogo das fogueiras
As silhuetas projetadas como sombras nas clareiras
Num cinema alucinado
Num profano teatro
Ao som da batida primitiva
Ao som do ritmo sagrado
Há salvação na loucura.

Templos Aguardam

Quantos templos os homens construíram?
Em quantos deles se encontrava Deus?
Quais deles salvavam as almas?
Quais incendiavam pagãos e ateus?

Templos reais nos aguardam calmamente
no torpor do absinto derramado em nossas mentes
no calor dos cigarros de haxixe que acendem
as orgias desregradas de nossos corpos indecentes

Exercicios Diários Vol.2

Permaneço por horas sentado, exausto
Cansado de desejar

As palavras que entram por um ouvido
saem pelo outro sem a menor cerimônia

Rabisco meia dúzia de palavras no papel

O desejo é um castigo dos deuses mais indecentes
Estou certo
Desejar é um deserto
Desejar é um delírio
Desejar é desequilíbrio

E existe cura para isso?

Exercicios Diários

Observo grupos a distância
não participo
pratico
minha percepção

Pessoas estranhas
eu um estranho
olhares de pedra
para um sem direção

Nos ouvidos os timbres de Morrison
Nos olhos as palavras de Piva
No peito desejos de Kerouac
Na cabeça loucuras de Ginsberg

No chão um cogumelo de Carroll
no ombro um corvo de Poe
no céu um sol de Harrison
no fim um trem de Raul

Amem.
Oue assim seja.

Vai e faz o que queres

A verdadeira arte é contra lei
A verdadeira lei é pura arte

Vovô já dizia.

Poesia é exagero
se não fosse não seria
Como vovô já dizia
O caminho do excesso
leva ao palácio da sabedoria

Janela de Prata

Acordar e sair para a luz
gotas frescas de orvalho pela grama
Verde pastagem
vim de passagem
sob o céu azul
procurando um caminho
cogumelos de Zebu

Ombros vermelhos do Sol amarelo
pernas cansadas de caminhar
boca cansada de não mastigar
a carne dos deuses que brota do chão

Hoje não sou nada
um ser transformado em janela de prata
que aberta se move em qualquer direção

Ela se move em qualquer direção!

Noite Escura

Vamos queimar sem culpa!
O calor da fogueira transforma tudo o que perturba
dentro da noite escura.

Sejamos.

Hoje seremos Deus!
Chapados santificados
indecentes imaculados
Podemos cair na terra e rolar a manhã inteira para o Sol
A noite fazer o mesmo pela Lua
Luz clara
Iluminada mata virgem
densa e nua
Se deita em meu travesseiro de ervas e sonha o sonho dos anjos
Perversa e pura

Ritual

Com quatro pedras aponto os pontos cardeais
Quatro elementos acompanham.
Num circulo
No centro
Acende-se a fogueira.

Vamos dançar a noite inteira!
Na lembranca de que já fomos um dia

Terra molhada de chuva
Fogo que estala a madeira



Quimera

O cinema é bruxaria
ao contrário do que se pensa

Cada cena
Cada plano
Cada sequência
Manipulação dos fatos
Simbolismo e misticismo
Um mosaico de quadrados mágicos

Construção de lógicas
significantes e significados

Musica dança loucura
Luz e sombra
Teatro vritual
Ritual da falsidade

Consciente e inconsciente
Mentira que desperta a verdade

Quimera

Para fora da banalidade

Valsas na Mata Clara

Gosto de estar frente a frente com a loucura
não há no mundo maior aventura
nada melhor a desbravar

Ficar consciente do universo
onde os pensamentos vivem imersos
lugares de difícil acesso
onde quase nunca posso entrar

Gosto de ter a chave do mundo interno
do céu e do inferno
que todos vivem
fingindo ignorar

Promover o renascimento
que todo encontro com a morte
é capaz de propiciar

Gosto de fazer por toda a madrugada
numa sala branca enfeitada
ao som de valsas na mata clara
com amigos cantando a bailar