quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Todo batuque é um ponto Todo canto uma invocação Toda inspiração uma mensagem Toda dança uma possessão Toda celebração um mistério Toda alegria religação

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O velho tarado dá um gole para o santo e toma o segundo trago
Observa enrijecido o grupo de meninos abandonados
Nos bolsos cachimbos e pedras
Anjos entorpecidos na Nova Luz

A pequena tribo inicia o ritual no asfalto, ao som da batucadas de latas vazias
pintadas com o nome do famoso refrigerante
Terríveis infantes, alguns filhos de Angola
Com canos permanentemente apontados para as cabeças
medo e fome somem em meio as baforadas de cola

Eu, observo atentamente os totens da cidade
As torres gigantes e antenas
As milhares de propagandas
As botas dos policiais que fazem a segurança de quem tem.

O jovem com o corpo pintado, corta como um pássaro as ruas do centro montado em seu skate. Eu sou um xamã perdido no concreto, mergulhado em fumaça tóxica, um curandeiro residindo na doença, um extremista religioso sem uma crença. Atendendo à todo tempo a demanda de novos rituais.

Novas tribos espalhando símbolos mágicos pelas calçadas, em orgias psicodélicas nos topos dos arranha céus, entre os carros parados na avenida seca & cinza.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O primeiro Xamã criou o sexo
Os outros aperfeiçoaram
William Blake previa um aprimoramento do prazer sensual
Rimbaud se apaixonou por um homem cruel
Morrison levou o herotismo as massas
e morreu com uma grande barriga de cerveja

Espiritos Dionisíacos que habitam a terra!
O arco lança a flecha
E os selvagens dançam em volta da fogueira

quarta-feira, 10 de agosto de 2011


As peças se movem ignorando o tabuleiro
Os jogadores seguem controlando os desavisados
Olhar e deixar os olhos se encherem de água
Amanha é o dia do naufrágio
...
Fazer a política dos corpos em dança
Atender o clamado de quem não chama
Olhar e deixar os olhos se encherem de chamas
Amanha é o dia do drama

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tempo Velho

Se desfaz um laço em poucos atos
Dançamos nossos vagarosos passos

Belas melodias vem
para confundir também
Todo doce tem um lado ácido

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tantra Torto

Ele voa com apenas uma asa
Ele se equilibra com dificuldade pelo ar
Ele é uma serpente com escamas de fogo
Ele é o caminho do meio

Um tantra torto

A escolha pelo incerto
Um teste para os limites
Uma ténue fronteira

Entre o santo e o louco

Corre em todas as direções
Não há como conter sua força
Incrível
Infernal

Forte como uma ereção
Intenso como um bacanal
Delicado como a passagem

Perigoso, delicioso e letal

Ele é a doce melodia de um mantra à deusa negra
Engendra os movimentos que anunciam a longa noite
Ele é um trem turbulento pra o fim da escuridão

Um sutil conhecimento
Um convite velado para o sagrado

Uma opção